• The Brazilian Critic

As formas de se relacionar da nova geração ditam o humor involuntário de “Feras”

Atualizado: 17 de Jul de 2020


No ar desde o dia 21 de janeiro, a série “Feras” é a nova aposta da MTV para seu setor de produções ficcionais brasileiras. Em co-produção com a Primo Filmes, a série, produzida por Felipe Sant’angelo e Teodoro Poppovic e com texto de Poppovic, Iris Junges, Mariana Trench e Gustavo Suzuki, é uma comédia-dramática sobre as novas formas de amor dos tempos atuais.


Esse é o segundo investimento do canal na área dramatúrgica, sendo o seriado “Perrengue” — que já possui segunda temporada garantida — seu primeiro conteúdo ficcional (não confundir com as produções da antiga MTV Brasil). Como a grande maioria da programação do canal, “Feras” busca criar uma conexão com o espectador, se utilizando de realidades e eventuais contradições do cotiano jovem para se fazer próxima do público-alvo.


Entretanto essa aproximação vai além da juventude, sendo correspondente à várias gerações, sobretudo as que ainda não compreendem as variadas formas de se relacionar de hoje em dia. E é função do protagonista Ciro, interpretado por João Vitor Silva, elucidar estas dúvidas.


Na série, Ciro, que acaba de terminar um relacionamento antigo, se vê jogado em um “novo mundo” onde as formas de aproximação e de amizade são totalmente diferentes e mutáveis. Assim, um rapaz que estava acostumado com a estabilidade afetiva acaba tendo que enfrentar questões atuais como o “machismo x feminismo”, encontros por aplicativo e as variadas formas de amor.


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A direção traz recursos interessantes para fazer a conexão com o espectador, se favorecendo das dinâmicas da fotografia e da edição. E o texto, muitas vezes filosófico, outras vezes cômico, caminha de forma certa, abordando temas atuais e os apresentando de maneira simples e com um humor involuntário. Tudo isso utilizando o recurso de narração em off — feita por Carolina Holly —  que funciona de forma geral, apesar da exposição inevitável.


Estas filosofias sobre as novas formas de relacionamento são vivenciadas pelo protagonista e por seus amigos Mari Maia (Camila Márdila), Raul (Vinícius Beu), Joana (Mohana Uchoa), Peu (Túlio Starling) e Barbieri (Rodrigo Garcia).


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O elenco, aliás, foi muito bem escalado. João Vitor Silva mostra toda a insegurança de um jovem distante da nova geração, o que proporciona ao espectador a sensação de semelhança e, muitas vezes, de “vergonha alheia”. O feminismo e a vontade de libertação são muito bem representados por Camila Márdila e Mohana Uchoa. E o machismo, tanto o explícito quanto o inconsciente, se faz representado pelos personagens masculinos, principalmente Barbieri, interpretado por Rodrigo Garcia.


A série conta ainda com ótimas participações especiais ao longo de seus episódios: Jesuíta Barbosa, Leandro Ramos (do “Choque de Cultura“), Luciana Paes. Além de Laerte, cartunista que faz sua estreia na atuação como uma terapeuta.


Com 13 episódios, todos já disponíveis na plataforma de streaming do canal, MTV Play,  “Feras” é uma divertida reflexão sobre as diferentes formas de se relacionar da nova geração. Além de ser uma ótima aposta do canal no ramo de séries ficcionais. Vale a pena conferir.