• The Brazilian Critic

Com elenco impecável, “Onde Nascem os Fortes” sai de cena de forma poética

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Nessa segunda-feira (16/07) chegou ao fim o drama-faroeste nordestino criado por George Moura e Sérgio Goldenberg e dirigido por José Luiz Villamarim para a TV Globo. “Onde Nascem os Fortes” fechou seu ciclo de mistérios e amores, violência e poesia, deixando a marca de uma produção de exímia execução por parte da equipe e elenco e de complexa entendimento e absorção por parte do público.


Visualmente a série foi extremamente bem pensada. A câmera e a iluminação poética de Walter Carvalho, que é a referência quando se fala em fotografias complexas, foi quase que um narrador oculto, onipresente. Aliás, o trio Moura, Villamarim e Carvalho estão desconstruindo o nordeste desde “O Canto da Sereia” de 2013, passando por “Amores Roubados” de 2014 e completando a trilogia nordestina com a “Onde Nascem os Fortes“.


Outro que é recorrente contribuinte para os sucessos dramatúrgicos é o compositor Eduardo Queiroz, sempre preciso em suas trilhas sonoras originais.

A trama, uma mixagem entre mistério, drama e aventura, anexados ao visual western do sertão, agradou desde o princípio. Maria, uma viajante de forte personalidade, movendo mundos para encontrar o paradeiro do irmão desaparecido, se vê presa à uma cidadezinha onde a lei ainda é a bala e a verdade é muito mais volátil do que aparenta.


Apesar de a história ter sido um pouco arrastada no meio da série, algo que poderia ter sido resolvido com um número menor de capítulos, a forma como os personagens foram desenvolvidos ao longo da trama e as revelações graduais de suas camadas fez com que esse pequeno detalhe de enredo fosse relevante.


Personagens, aliás, que eram totalmente complexos e de difícil acerto, não fosse o trabalho imersivo e irreparável do elenco como um todo.


A protagonista, Maria, brilhou através dos olhos de Alice Wegmann, em uma performance totalmente magnética, capaz de transmitir em olhares todos os sentimentos possíveis que a personagem vivia; Alexandre Nero, em mais um trabalho excepcional, competente em revelar os vários níveis que seu Pedro Gouveia possuía; Patricia Pillar, calma e tenra, sob a pele de uma mãe cheia de segredos; Jesuíta Barbosa, Irandhir Santos e Enrique Diaz, um trio de artistas extremamente importantes para a dramaturgia televisiva moderna, encarnando mais um grupo de personagens impactantes; Débora Bloch, que também brilhou em sua última participação em “Justiça“, de volta com uma personagem difícil; e Fábio Assunção, em, talvez, o personagem mais complexo de sua carreira, mostrando toda sua versatilidade como o juíz Ramiro.


Gabriel Leone, Lee Taylor, Lara Tremouroux, Maeve Jinkings, Camila Márdila, José Dumont, todos também excepcionais.

Literariamente poética, visualmente diferente e com um elenco totalmente entregue aos seus papéis, “Onde Nascem os Fortes” é sem dúvida uma pérola na dramaturgia da TV Globo, conseguindo explorar a complexidade de personagens humanos e mostrando para o Brasil uma outra face do sertão nordestino, capaz de encantar os apaixonados e colocar medo nos despreparados.

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