• The Brazilian Critic

Com lindos personagens e ótima direção de Selton Mello, “Sessão de Terapia” retorna em grande estilo

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Em 2014 terminou a exibição da terceira temporada de “Sessão de Terapia“, série original do canal GNT que mostrava o cotidiano do psicólogo Theo Cecatto e os dramas de seus pacientes. Baseada na série israelense “BeTipul“, criada por Hagai Levi, a produção é um sucesso mundial, com versões em mais de dez países, incluindo a aclamada “In Treatment“, adaptação americana estrelada por Gabriel Byrne.


Depois de um hiato de cinco anos, “Sessão de Terapia” está de volta, repaginada, mais jovem. Não só pela mudança do protagonista, mas também pela forma de exibição. A quarta temporada teve sua estreia exclusiva para os assinantes da plataforma Globoplay. Mas a fórmula continua a mesma: de segunda a quinta, um paciente diferente retorna para sua sessão; e nas sextas-feiras, é a vez do terapeuta ir para o divã.


Nesse novo momento da série, sai de cena ZéCarlos Machado, entra em cena Selton Mello. Caio, um terapeuta mais jovem, mais invasivo. E mais problemático também. O ator, que dirigiu as outras temporadas, teve uma vasta experiência como observador. Agora, atuando, o trabalho de Selton Mello é brilhante. Quem vê o Caio-analista ao longo da semana se surpreende com o Caio-paciente às sextas. Truculento, exagerado, revoltado e inoportuno; totalmente diferente da postura como profissional. Mas mesmo quando ele assume a função de ouvinte, são as pequenas alterações na voz e no olhar que confirmam a qualidade de sua atuação.


Mas as interpretações de qualidade não se limitam somente ao protagonista. Cada dia da semana o público tem a possibilidade de assistir o desenvolvimento de um personagem de maneira gradual. Mérito também do roteiro, encabeçado por Jaqueline Vargas.


Às segundas, Chiara Ferraz (Fabiula Nascimento), uma atriz que tenta esconder sua melancolia atrás das redes sociais e da sua persona cômica. Na terça, é a vez de Guilhermina (Lívia Silva), uma adolescente insegura e superprotegida pelo pai. Quarta é o dia de Nando (David Júnior), um homem machista que vê seu casamento ruir por causa do sucesso profissional da esposa. Nas quintas-feiras, as sessões são com Haidée (Cecília Homem de Mello), uma senhora que perdeu a vontade de viver. E nas sextas, Caio faz suas revisões com a terapeuta Sofia (Morena Baccarin).


Fabíula Nascimento está à vontade como Chiara, não somente nas excentricidades do papel mas também nos momentos de reflexão. Cecília Homem de Mello tem a personagem mais carismática em mãos e sua composição faz de Haidée alguém comum ao público, gerando uma empatia inevitável.


Morena Baccarin é uma grata surpresa. Sim, sua capacidade de atuação já era reconhecida internacionalmente, mas uma experiência em produções nacionais ainda estava faltando. E sua primeira participação no Brasil não poderia ter sido melhor. As nuances e os dilemas internos de Sofia são repassados ao público de maneira orgânica. Além da excelente química com Selton Mello.


David Júnior e Lívia Silva tem personagens um pouco mais didáticos, tornando às vezes seus episódios carregados demais. Apesar disso, o arco de Nando e de Guilhermina são bem conduzidos, conseguindo prender o espectador até o final. Lembrando que este é o primeiro grande trabalho de Lívia Silva, que já começa a carreira com uma personagem tão complexa.



Dirigida por Selton Mello e com roteiros de Jaqueline Vargas, Emilio Boechat, Ricardo Inhan, Marilia Toledo, Cadu Machado, Luh Maza e Ana Luisa Savassi, a quarta temporada de “Sessão de Terapia” retorna em grande estilo.


Com todos os episódios já disponíveis no Globoplay e com previsão de estreia no canal GNT ano que vem, esta é uma série que não deve ser perdida, seja pelos personagens complexos, seja pelas atuações intensas. Afinal, todos nós precisamos de terapia.

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now