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Com roteiro confuso, nova série “Borges” tem seus momentos divertidos

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Terminou ontem (15/05) a série “Borges“, produzida pelo Porta dos Fundos para o canal por assinatura Comedy Central. Essa é a quarta produção do canal do YouTube em formato seriado, precedida por “Viral” e “Refém” de 2014, lançados diretamente para a internet, e “O Grande Gonzalez” de 2015, em parceria com a Fox.


Escrita por Gabriel Esteves e Ian SBF, que também assume a direção, “Borges” conta as adversidades de um grupo de funcionários de uma transportadora falida e cheia de dívidas que assumem a empresa depois de ser abandonada pelo ex-dono e tentam sair do buraco transformando-a em uma produtora de vídeos para a internet. Cada episódio retrata variadas situações de humor vividas pelos quatro integrantes na tentativa de fazer o negócio dar certo, além de casualidades do cotidiano.

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Com um texto base e uma história familiar aos produtores, já que o canal deles no famoso site de vídeos é um dos mais acessados no país, falta à série um certo distanciamento à vida real, já que alguns episódios mais parecem uma sequência de esquetes criadas para a internet. A ligação entre os episódios existe, mas é muito fraca para conseguir ter algum efeito no público.


O quarteto protagonista é formado pelos já conhecidos atores dos vídeos do Porta dos Fundos e que, inclusive, alguns já participaram das anteriores produções para a televisão. Antonio Tabet, Thati Lopes, Karina Ramil e Rafael Portugal são Erasmo, Rosana, Sônia e Pablo, os funcionários herdeiros das dívidas e que agora são produtores de conteúdo virtual.


O mesmo padrão de atuação que é visto nos vídeos originais do canal no YouTube é mantido aqui, com um humor ora ácido, ora nonsense, algo que demora um pouco para o espectador assimilar com naturalidade e esquecer a conexão com as várias esquetes já vistas anteriormente.

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Mas não há como negar o timing cômico dos atores, principalmente do elenco feminino e de Portugal, que consegue ser engraçado mesmo quando a cena não exige muito.


Herdando o humor típico do canal e, com isso, dificultando ao espectador diferenciar o que está vendo com os vídeos do Porta dos Fundos já assistidos ao longo do tempo, além de um roteiro não linear e as vezes confuso, “Borges” se destaca pela acidez do texto e pelas situações atípicas vividas pelo elenco principal.


A série basicamente é uma grande brincadeira metalinguística, podendo ter algum efeito cômico nas pessoas já familiarizadas com o canal, mas dificilmente conseguirá prender o espectador por tempo suficiente.