• The Brazilian Critic

Em um ótimo ano para séries nacionais, “Impuros” é mais uma grata surpresa

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Estão disponíveis no aplicativo da Fox desde o dia 19 de outubro todos os 10 episódios da nova série da Fox Premium, em coprodução com a Barry Company, “Impuros“. O drama policial é a segunda produção do canal lançada em 2018, que já contou com a terceira temporada de “1 Contra Todos“. Criada por Alexandre Fraga e dirigida por Tomas Portella e René Sampaio, “Impuros” trabalha em cima das duas faces que caracterizam o tráfico de drogas e a polícia no Brasil.


O lema da série é não haver vilões ou mocinhos, o ponto de vista é que vai caracterizar os personagens. Apesar de ser fácil assimilar maldade aos jovens criminosos, a série leva o espectador a conhecer a origem da maldade, mostrando que o sistema é o principal responsável por transformar jovens pobres das favelas em traficantes.


Com isso, a série inicia sua história no Rio de Janeiro dos anos 90, contando a história de um grupo de amigos que veem o destino dar rumos diferentes para cada um. Aliando fatores históricos à trama ficcional, o conteúdo que é apresentado dá maior credibilidade à história que é contada e isso se deve ao fato de o criador, Alexandre Fraga, ser um ex-policial federal, contribuindo com sua experiência para o desenvolvimento da trama.


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Aqui a criminalidade não é a protagonista, responsável pelo sucesso ou fracasso dos personagens, mas é na verdade a consequência de um mau maior: a desigualdade social. E é justamente isso que alavanca os interesses de cada personagem, mostrando gradualmente as diferentes camadas da realidade brasileira nas grandes cidades do país.


É justamente isso que motiva o personagem central, Evandro, a tomar as decisões erradas e dar início à sua saga no mundo do crime. Em contrapartida, Morello, um policial com valores morais discutíveis, acaba tendo que passar por cima da lei para driblar uma polícia corrupta a fim de alcançar seus objetivos.


Não são temas inéditos na mídia brasileira, mas os personagens ambíguos e bem interpretados ajudam a diferenciar “Impuros” de outras obras ficcionais.


Raphael Logam, um ator desconhecido da grande televisão, rouba a cena como o anti-herói Evandro do Dendê. É uma revelação muito interessante, principalmente em um elenco cheio de artistas já conhecidos.


Rui Ricardo Diaz também se sobressai como o policial Morello, fugindo do padrão “policial do bem”. Fernanda Machado como Andreia também está ótima, mostrando as dificuldades das mulheres em um ambiente machista como é o da polícia no Brasil. E Cyria Coentro também se mostra uma das mais competentes forças do elenco principal, como Arlete, a mãe de Evandro, fiel aos seus valores, mas condolente com os erros do filho.


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Lorena Comparato, Flávio Bauraqui, Leandro Firmino, André Gonçalves, Rocco Pitanga, João Vitor SilvaCésar Troncoso, Julieta Zylberberg e Jean Pierre Noher também estão muito bem em suas participações.


Com bastante cenas de ação (aliás, o primeiro episódio já abre com uma perseguição na favela digna de filmes consagrados) e violência bem colocada, a série tem uma direção completamente segura de suas decisões. Mas os diretores não se pautam somente nas tomadas mais difíceis, dando espaço para os atores desenvolverem seus personagens de forma livre, somando ainda mais para a finalização de cada capítulo.


Impuros” é uma grata surpresa no cenário televisivo, principalmente na transmissão fechada, e prova que a Fox está cada vez mais acertando em suas produções e contribuindo para um mercado ainda em expansão no país.


Com personagens que prendem, uma direção bem conduzida e atuações dedicadas, “Impuros” tem tudo para ser mais um acerto do canal em séries nacionais.