• The Brazilian Critic

Fantasmas do passado amadurecem a nova temporada de “Me Chama de Bruna”

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Estreou no dia 07 de dezembro a terceira temporada de “Me Chama de Bruna”, série do canal Fox Premium, em co-produção com a TV Zero, que conta a trajetória de Bruna Surfistinha, uma das garotas de programa mais desejadas do Brasil. Com oito episódio (mesmo número das temporadas anteriores), o terceiro ano da série apresenta novos dilemas na vida da personagem central, que se tornou uma famosa personalidade do submundo da prostituição. Mas, mesmo com tanta fama, ela ainda precisa exorcizar alguns fantasmas do passado.


Estrelada por Maria Bopp no papel da protagonista, a série tenta dramatizar as vivências de Bruna, apresentando fatos reais de sua vida, mas muitas vezes incorporando elementos fictícios à trama, a fim de injetar uma dose de adrenalina à história, sobretudo nos personagens de núcleos diferentes.


Em tese, a criação de um mundo ficcional paralelo à história real serviria para dar corpo à trama. Este recurso é louvável, uma vez que, por mais que a vida real seja surpreendente, não é interessante o suficiente para preencher quase uma hora de episódios semanais.



Mas, infelizmente, a série peca em separar os núcleos criados, isolando os personagens secundários. Personagens estes que tinham fundamento na primeira temporada, onde Bruna ainda era uma prostituta iniciante. Mas nesse terceiro ano da série, já não existe uma conexão forte com a protagonista. O que se vê são histórias diferentes que pouco se relacionam durante os episódios.


Nesse novo ano, a trama do prostíbulo de Samira (Simone Mazzer) e Lukas (Ariclenes Barroso) se envolve em uma disputa de espaço e público com uma igreja evangélica, encabeçada pelos personagens de MV Bill e Álamo Facó. Essa nova história se mostra promissora a princípio, mas não possui qualquer relação com a trama central. O mesmo se diz dos núcleos de Georgette (Stella Rabello) e Jéssica (Nash Laila).


Apesar dos devaneios, o roteiro cria uma maior maturidade nessa terceira temporada, explorando fatos do passado da protagonista que ainda possuem relevância no presente. Isso força a trama central a se movimentar com mais propósito, não ficando encalhada apenas na sexualização da prostituição.


Esses fantasmas de Bruna acabam proporcionando bons momentos dramáticos na temporada, sobretudo os que abordam o relacionamento dela com os pais, interpretados por Clarice Niskier e Jonas Bloch.



Com um texto mais maduro, a terceira temporada não utiliza a sexualidade explícita simplesmente para preencher espaço na trama e agradar o público. Além disso, há um maior desenvolvimento das personagens, apesar das dificuldades de conectar a história central às tramas paralelas.


Dirigida por Calvito Leal e Eduardo Vaisman e com roteiros de Teresa Frota, Christiana Alcazar e Gustavo Pizzi, o terceiro ano de “Me Chama de Bruna” acaba sendo um dos melhores da série até aqui.


Me Chama de Bruna” foi exibida entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019 no Fox Premium e todos os episódios estão disponíveis pela plataforma Fox Play.

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