• The Brazilian Critic

Frágil, “Deus Salve o Rei” termina em débito com o espectador

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Na última segunda-feira (30/07) chegou ao fim a saga de Afonso, Amália, Catarina e companhia. “Deus Salve o Rei“, de Daniel Adjafre e direção geral de Luciano Sabino e artística de Fabrício Mamberti terminou em meio às críticas negativas ao roteiro e aos personagens, mas com uma produção artística e técnica invejável.


Por ser uma trama medieval, as comparações com produções televisivas do mesmo subgênero foram inevitáveis desde a pré-produção. Mas quem assistiu ao folhetim e também acompanha as séries gringas notou que a ausência de cenas de violência e sexo não foram a principal deficiência que a trama apresentou.


O roteiro de Adjafre não era ousado, propondo desde o início uma trama simples: a briga pelo trono entre dois reinos. Simplicidade nunca foi problema nas produções da casa, sobretudo em novelas “das sete”, mas a falta de complexidade dos personagens e a volatilidade e conveniências da história tornaram o enredo fraco e previsível.


Já a direção fez o que pôde para entreter o público com cenas de ação enquanto esperava que a história se desenvolvesse. E fez bem. Todas as cenas de lutas e guerras foram bem executadas e coreografadas, dados os padrões e a inexperiência brasileira em produções medievais.

Facilmente uma das novelas mais onerosas para os cofres da ‘vênus platinada’, “Deus Salve o Rei” não poupou gastos. O resultado foi uma direção de arte impecável, com sets incrivelmente bem construídos e cenários com decorações feudais muito fieis, dando um ar hollywoodiano às cenas.


A fotografia também foi bem feliz, sobretudo em cenas filmadas em ambientes fechados, com a iluminação gerada por velas, dando um charme a mais. O figurino e a caracterização foram extremamente bem pensados, transportando os atores para a Idade Média, mesmo que estivessem gravando no Jardim Botânico.


E a trilha sonora original, mesmo que repetitiva, dava o tom medieval às cenas com propriedade. Um ponto de destaque foram os efeitos visuais, que geralmente passam despercebido em produções televisivas nacionais. Mesmo que não houvessem dragões como na famosa série americana, o acabamento da equipe em todas as cenas externas era impressionante, agregando bastante para a qualidade artística da novela.

Mas, infelizmente, uma novela não se vende somente pela parte técnica impecável. São os personagens/atores que fazem uma produção televisiva. E com um roteiro frágil, os personagens aqui não convenciam.


Rômulo Estrela como o Rei Afonso talvez era um dos poucos que agradavam, fazendo jus ao posto de protagonista. Outro que agradou foi Johnny Massaro, um alívio cômico pontual.


Mas, tanto a mocinha Amália, de Marina Ruy Barbosa, quanto a vilã Catarina, de Bruna Marquezine, não empolgaram. Amália era sem sal, não gerava empatia por parte do público. Já as escolhas de interpretação de Marquezine não contribuíram para a popularidade da vilã, uma espécie de Cersei Lannister mau parodiada.


Os personagens coadjuvantes eram totalmente esquecíveis, com exceção de rainha vivida por Rosamaria Murtinho no início da trama, uma presença que poderia ter sido mantida por mais tempo.


Deus Salve o Rei” não empolgou como a produção americana e foi um exemplo de que, ao invés de gastar com a parte técnica da novela, o melhor investimento teria sido se preocupar com a estrutura narrativa.


Visualmente vai ser lembrada, mas os personagens com certeza já caíram no esquecimento. Que venham as próximas novelas.

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