• The Brazilian Critic

Frenética, “Ilha de Ferro” prende mais pela parte técnica do que pela trama em si

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Uma das promessas da TV Globo para sua plataforma sob demanda, o Globoplay, e com produção iniciada em 2017, finalmente estreou a nova série do canal, “Ilha de Ferro“. Com 12 episódios, todos disponíveis na íntegra desde a última quarta-feira (14/11), a série é criação de Adriana Lunardi e Max Mallmann, que faleceu durante a produção da primeira temporada, e tem direção artística de Afonso Poyart.


A trama gira em torno dos trabalhadores de uma plataforma de petróleo localizada no litoral brasileiro e de suas vidas conturbadas, tanto em alto mar quanto em terra firme. Dante, coordenador da plataforma, tem em terra uma tensa relação com Leona, uma mulher cheia de vícios e muito instável. Sua vida muda quando ele descobre a traição dela com seu próprio irmão, Bruno, e acaba causando o acidente que o deixa em coma. No mar, Dante vê seu sonhado cargo de gerência ser tomado por Júlia, filha de um dos chefões. E a disputa entre eles dá caminho para uma ligação intensa.


A direção de Poyart opta por uma condução extremamente esquizofrênica, chegando a cansar o espectador, com montagens soltas dos personagens e bastante rock ‘n roll. Inspiração de seus tempos de cinema, como o longa “2 Coelhos“. O clima alucinante, que não se mantém totalmente ao longa da temporada, não é contraposto com situações mais calmas, sendo que todas as cenas são corridas e impactantes.


O roteiro implica que a condição de trabalho em uma plataforma de petróleo é extremamente insalubre e perigosa, o que explica a tensão no ambiente de trabalho. O que se vê em cena são personagens que não conseguem finalizar um diálogo sem gritar, criando uma atmosfera cheia de brigas e violência.



Tecnicamente a série é muito bem produzida. A fotografia sabe utilizar as tomadas aéreas para mostras a imensidão do mar e a sensação de impotência de estar cercado pelo oceano, além uma câmera fechada no rosto dos personagens em sequências de diálogos mais tensos, mostrando a situação claustrofóbica em que eles vivem.


Os efeitos visuais são muito superiores às séries já criadas no Brasil. A plataforma é bastante realista vista de planos superiores mais abertos e a direção de arte fez um trabalho de excelência ao recriar os cenários de gravação.


A edição, apesar de não contribuir muito para a trama, no ponto de vista textual, é bem feita. E o desenho de som também acompanha o ritmo frenético dos trabalhadores na PLT-137.


Mas “Ilha de Ferro” não mostra personagens que criam empatia com público, diferente de outra série da casa, “Sob Pressão“, que consegue fazer com que até personagens coadjuvantes sejam queridos pela audiência. E isso acaba interferindo nas atuações.



O personagem de Cauã Reymond é extremamente prepotente e violento, com atitudes que não são justificáveis. Além de ser o típico cara que conhece tudo, tem sempre razão e conquista todas as mulheres.


As personagens femininas talvez são as que se saem melhor, mesmo assim com algumas ressalvas. Sophie Charlotte está sempre histérica, alucinada, dando a impressão de não haver outras faces em sua personagem. Maria Casadevall está bastante confortável como uma mulher chefe de um ambiente extremamente masculino. Entretanto, sua atuação acaba se assemelhando a outros trabalhos anteriores da atriz.


Dentre os papéis coadjuvantes, vemos um Osmar Prado subutilizado, fazendo uma participação que poderia ser melhor aproveitada, e Taumaturgo Ferreira em um papel que condiz com sua ótima capacidade interpretativa. Jonathan Azevedo e Vitória Ferraz também se destacam.


Com uma direção frenética, sequências de ação alucinantes, e muitas cenas de sexo gratuitas, “Ilha de Ferro” impressiona pela sua qualidade técnica, mas deixa a desejar no desenvolver da trama e na criação dos personagens.


A Globo já anunciou a produção de mais duas temporadas. Que a trama consiga se estabilizar emocionalmente nos próximos anos.

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