• The Brazilian Critic

“Pacto de Sangue”, nova série do Space, é a violência indigesta de um Brasil oculto

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Em agosto estreou a primeira série nacional produzida pelo canal Space, em coprodução com a Intro Pictures. Oito episódios depois, chega ao fim a primeira temporada de “Pacto de Sangue“. Criada pelo argentino Lucas Vivo García Lagos, escrita por Lagos e Patricio Vega e dirigida por Israel Adrián Caetano e Tomas Portella, a série é um drama policial cheio de ação, mistério e violência, abordando temas como o tráfico de drogas, exploração sexual, corrupção e o sensacionalismo televisivo.


A trama gira em torno de Silas Campello, um jornalista criminal que, tentando crescer como personalidade televisiva, acaba se envolvendo em esquemas junto com seu irmão e com o tráfico de drogas para forjar cenas do crime e alavancar seu programa. Em contrapartida, está Moreira, um investigador policial forasteiro que recebe a missão de desvendar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outros jovens.



O calor e umidade da Floresta Amazônica e a pobreza caótica do estado do Pará são os cenários para uma trama bastante movimentada, que encontra nas verdades de sua história o seu maior acerto. Retratar os tabus da região Norte do país e não as belezas amazônicas, como de costume, é um desafio. Com sorte o roteiro acaba encontrando uma história bastante envolvente que acaba prendendo o espectador. As tramas paralelas vão se encaixando de forma gradual, dando tempo para quem assiste assimilar os diferentes enredos. Além disso, as histórias paralelas deixam espaço para uma abordagem diferente em uma próxima temporada.


Os personagens críveis dão uma margem de realidade à trama: apresentadores sensacionalistas, policiais com comportamentos repreensivos, traficantes ditadores e jovens conduzidos pelo caminho das drogas são elementos presentes em uma sociedade corrompida como é a do Brasil suburbano.


Tudo isso é representado por um elenco bem envolvido com o projeto. Guilherme Fontes está à vontade no papel de Silas Campello, apresentador de jornal policial que faz de tudo por um furo de reportagem. Embora já tenha sido negada a comparação do personagem com fatos reais, é fácil enxergar em Silas os vários tipos que aparecem no noticiário regional pelo país.


Ravel Cabral também passa bastante confiança como o policial Moreira, mostrando o lado anti-heroico das autoridades. Seu comparsa, interpretado por André Ramiro, é a base positiva da dupla, dando harmonia ao grupo. Adriano Garib como Edinho, irmão a quem Silas confia os contatos no submundo dos crimes em Belém, também se sai bem.



Os caras “maus” da temporada (se é que existem pessoas de boa índole na série) são interpretados por Jonathan Haagensen, como o traficante Trucco, e Mel Lisboa, como Gringa, líder espiritual de uma seita que utiliza garotas para os rituais macabros presenciados por turistas estrangeiros.


Cristina Lago, Mika Guluzian, Fúlvio StefaniniGracindo Júnior também tem seus momentos na temporada.


Como primeira série do Space, “Pacto de Sangue” é um excelente começo para o canal na dramaturgia nacional. Os personagens agradam, os episódios são bem amarrados e a temporada deixou espaço para uma continuidade em um segundo ano. Os temas tabus também contribuem para o espectador se interessar pela série.


Se você gosta de dramas policiais com bastante violência e temas geralmente censurados pela televisão aberta, então você vai encontrar em “Pacto de Sangue” uma série que vai te agradar.

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