• The Brazilian Critic

Paranoias incomuns (e não tão incomuns assim) ambientam a quarta temporada de “Psi”

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Paranoia. Segundo o dicionário, é uma psicose caracterizada por um orgulho exagerado, egoísmo, suscetibilidade, desconfiança e mania de perseguição. Todos nós já experimentamos (em maior ou menor grau) algum sentimento semelhante, seja a sensação de perseguição de professores na escola ou até mesmo a prepotência de achar que tudo no Universo acontece para nós.


O grande problema é quando essa mania evolui para um estado irreversível, caracterizando uma doença psicológica grave. Esse é o foco da quarta temporada de “Psi“, produção da HBO, em parceria com a produtora O2 Filmes.


Diferente dos formatos seriados comuns, esse novo ano de “Psi” aborda a cada dois episódios uma doença mental diferente. Com dez episódios, a nova temporada traz cinco pacientes para serem analisados por Carlo Antonini. Mas não é somente o formato da série que muda, sua narrativa também se torna mais clínica e menos dramática. O foco da temporada é substancialmente os pacientes, deixando pouco espaço para o protagonista e seus conflitos  pessoais.



Com isso, o roteiro acerta ao entregar ao público uma análise inteligente de cada caso, tendo o personagem de Emilio de Mello como o mediador entre os pacientes e o espectador.


Com uma interpretação impecável de Natália Lage, a primeira paciente é Renata, uma mulher que está sendo julgada por um assassinato motivado pelo ciúme. Inteligentemente, roteiro e direção deixam uma sensação de ambiguidade no caso, forçando o espectador a deduzir se a acusada é culpada ou inocente.


E essa sensação de possível verdade das paranoias de cada paciente é recorrente nos demais episódios. Cláudia (Fabiana Gugli), uma mãe de família com mania de perseguição; Rudel (Bruno Lourenço), um jovem com hipocondria crônica; Jorge (Lourinelson Vladimir), um homem que acha que tudo ao seu redor é um grande programa de televisão. Todos os casos são criações da mente de cada paciente, mas fazem sentido se analisados de maneira coerente.



Além do médico e dos pacientes, a série ainda é preenchida com bons momentos de Liliana de Castro, Paula Picarelli, Marcello Airoldi e Renata Becker, protagonista dos dois últimos episódios da temporada.


Escrita por Contardo Calligaris, Thiago Dottori e Caroline Margoni e com direção geral de Calligaris e direção de Caroline Leone, Fabio Mendonça, Isabel Valiante e Max Calligaris, a quarta temporada de “Psi” é intrigante e coerente, abordando temas dificilmente apresentados nas tramas televisivas.


Uma boa pedida para quem se interessa pela complexidade da mente humana.

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