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Prosaica e regionalista, “Cine Holliúdy” é um produto televisivo 100% brasileiro

Atualizado: 17 de Jul de 2020


Disponível na plataforma de streaming Globoplay desde o dia 30/04, a série “Cine Holliúdy” estreia na televisão aberta nesta terça-feira (07/05) com a promessa de trazer momentos engraçados para as noites da TV Globo.


A emissora, que sempre obteve sucesso com séries de comédia exibidas na faixa pós-novela das nove tem uma missão nobre e arriscada: emplacar uma série recheada de cultura nordestina e com um texto bastante prosaico. Nordestino, aliás, seria uma denominação generalista. Cearense é o termo mais correto a ser empregado.


A série é inspirada no longa-metragem homônimo de 2013 escrito e dirigido por Halder Gomes. Mesmo assim a história do seriado não necessita de uma olhada prévia no filme, pois a premissa é simples: os dilemas de um dono de cinema em uma cidade do interior do Ceará que se vê ameaçado com a chegada da televisão.


A série se passa no anos 70 em Pitombas, uma cidadezinha cearense onde a televisão ainda não chegou. O maior divertimento dos moradores é assistir aos filmes no Cine Holliúdy. O cinema da cidade é propriedade de Francisgleydisson, um “cinemista” malandro, porém apaixonado por cinema e orgulhoso por ser o responsável pela alegria da população.


Mas tudo muda com a chegada da primeira-dama Socorro e sua filha Marylin, à quem o prefeito Olegário promete dar uma televisão — que acaba virando patrimônio municipal. Com isso, as noites de filmes americanos no cinema são ameaçadas pela emoção das novelas brasileiras na TV.


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Com influências da literatura nordestina, sobretudo do gênio Ariano Suassuna e seu sucesso “O Auto da Compadecida“, o texto é cheio de prosas, quase poético, trazendo uma nota teatral à serie — algo arriscado para um produto para televisão. O regionalismo empregado aqui também pode causar estranheza, sobretudo para os que não conhecem a cultura cearense por alto.


Mesmo assim os diálogos divertem e as histórias de cada episódio também, já que a trama dá margem para vários momentos engraçados. Tudo isso falado em bom e velho “cearensês”, com direito a gírias regionais e neologismos no melhor estilo Odorico Paraguaçu.


E o elenco está bastante afinado e entrosado. Edmilson Filho, que interpreta Francisgleydisson e já está com o diretor Halder Gomes desde o primeiro longa, tem bastante experiência no personagem, ficando à vontade em cena. Matheus Nachtergaele como o prefeito Olegário também é ótimo de se acompanhar em cena. Letícia Colin como a mocinha Marylin e Heloísa Périssé como a perua primeira-dama Socorro também se fazem pertencer ao estilo de humor da série.


Os personagens secundários também se destacam, com diálogos rápidos e interpretações divertidíssimas: Haroldo Guimarães como o fiel escudeiro Munízio, Gustavo Falcão como o afetado assessor do prefeito Jujuba, Carri Costa como o líder da oposição Lindoso e Solange Teixeira como sua esposa “arretada” Belinha.


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A temporada ainda conta com participações especiais de Miguel Falabella, Lorena Comparato, Rafael Infante, Ney Latorraca, Chico Diaz, Tonico Pereira, Ingrid Guimarães, dentre outros.


Engraçada e prosaica, “Cine Holliúdy” é uma série que deve agradar aos que se afeiçoarem ao humor regionalista e deve “emcabular” os que ainda o desconhecem. Mas seu diálogo “ligeiro bala” e sua história simplista são um charme por si só.


Com redação final de Mauro Wilson (“A Mulher Invisível“, “Doce de Mãe“) e Claudio Paiva (“A Grande Família“, “Sai de Baixo“) e direção de Halder Gomes e Renata Porto D’Ave e direção artística de Patricia Pedrosa (“Mister Brau“), a nova série da Globo terá 10 episódios exibidos todas as terças, logo após as novelas. Todos já estão disponíveis para os assinantes Globoplay.